A EDUCAÇÃO DOS CEGOS
 
Sessão Temática : Educação Especial
 
Forma de Apresentação: Comunicação Oral
 
Palavras-Chaves: análise histórica , escolarização de cegos, instituições educacionais.
 
Autor (GT) Tipo e-mail
TURECK, Lucia Zanato (PARANÁ - CASCAVEL - UNOESTE) Apresentador lutureck@hotmail.com
     

 

A análise histórica da educação de cegos com ênfase nas instituições educacionais é o objeto deste estudo. As discussões atuais a respeito da inclusão escolar de pessoas com deficiência têm suscitado debates e reflexões que buscam elementos históricos para instrumentalizar a sua análise e desvelar inconsistências de determinadas concepções presentes na política atual de educação. Com base nas pesquisas de Silveira Bueno (1993), Vigotski (1997), Veiga (1946, 1982), Zeni (1997) e documentos oficiais do Paraná (1992), busca-se compreender a trajetória da educação das pessoas cegas, inicialmente na Europa, com o Real Instituto de Cegos de Paris, e no Brasil, com o Instituto Benjamin Constant, e as iniciativas do Estado do Paraná, destacando o município de Cascavel. Os cegos mencionados historicamente, que remontam ao século XVI e seguintes, pertenciam à nobreza ou à burguesia emergente; ainda que sem uma instrução formal, as condições inerentes à sua classe social permitiram aprendizagens. A primeira instituição educacional, na França, em 1784, foi criada inicialmente para profissionalizar os cegos; seu diretor empreendeu lutas para mantê-la aberta, processo parecido com o das entidades de educação especial atuais: de iniciativa privada, cumprem um papel do qual o Estado se omite mas estimula que elas o realizem, sendo os recursos sempre insuficientes em relação à demanda, colocando-as em situação de constante instabilidade, o que repercute na qualidade e continuidade da educação oferecida. No Brasil, o marco inicial da educação de cegos deu-se com o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, hoje Instituto Benjamin Constant, em 1854, no Rio de Janeiro. Apesar de existir a preocupação com os cegos adultos e sua sobrevivência, não houve programa educacional específico, aceitando-se a situação praticamente asilar do Instituto. Evidencia-se, assim, a concepção ainda vigente de incapacidade dos cegos. Na segunda metade do século XX, a proposta educacional para deficientes visuais, do Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) propunha que a criança cega e sem outra deficiência fosse encaminhada para alfabetização no sistema braile em classe especial, após essa aquisição seria integrada na classe comum. No Estado de São Paulo a opção foi pelo atendimento educacional integrado aos alunos cegos e com visão reduzida, com apoio das salas de recursos e das unidades de ensino itinerante. Em 1939, foi fundado em Curitiba, Paraná, o Instituto Paranaense de Cegos com o objetivo relacionado à habilitação e reabilitação de pessoas cegas e com visão reduzida, o qual permanece até os dias de hoje. Em Cascavel, Paraná, criaram-se Centros de Atendimento Especializado para Deficientes Visuais a partir de 1987. Com a participação de jovens e adultos cegos, o debate sobre a condução dos interesses e a luta pela concretização dos direitos dos indivíduos cegos, dentre eles a educação, provocou um movimento liderado pela Associação Cascavelense de Pessoas Cegas (ACADEVI), uma entidade de defesa de direitos que integra o Fórum Municipal de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, criado em 1995, onde a discussão e a participação na elaboração e avaliação crítica das políticas públicas são constantes.


A EDUCAÇÃO DOS CEGOS